Aterro sanitário vai ficar em cima da terceira maior reserva de água do Rio

O RJTV voltou a Seropédica, no bairro de Santa Rosa, para falar do lixão que deve ser construído no município para desafogar outros lixões do estado, como o de Gericinó e Gramacho. Na semana passada, o RJTV mostrou que os moradores não gostaram muito dessa história. Para muitos, a presença de um aterro sanitário vai trazer prejuízos à região. O RJTV foi ao terreno onde está planejada a construção do depósito. Segundo o Conselho do Município, a área tem dois milhões de metros quadrados, o equivalente a 320 campos de futebol. Pelo local, passam oito rios.

O novo aterro sanitário deverá funcionar em 2011, mas já está gerando polêmica e muitas reclamações:”Nós todos estamos muito triste com isso, porque nós temos netinhos na escola, o colégio aqui pertinho e aqui é o paraíso”, diz uma moradora.

A pesquisadora da Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Rosângela Straliotto encontrou com o RJ Móvel e fez um alerta. Segundo ela, o terreno que vai ser transformado em aterro sanitário está em cima de um grande reservatório natural de água. O Valão dos Neves é um dos rios que abastece o reservatório de água.

“Fazer um aterro no local significa um risco enorme de contaminação, de poluição de todas a água que são subterrânea. Esse reservatório é o terceiro maior reservatório do estado do Rio de Janeiro e poderia abastecer até 300 mil habitantes ou mais. Ele é usado como reservatório para poços artesianos para irrigar lavouras e usar no abastecimento doméstico”, diz a pesquisadora.

O terreno fica próximo ao bairro de Chaperó, segundo o secretário da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, a decisão da prefeitura do Rio foi tomada depois que o município atestou que o aterro de Gramacho teria só mais quatro anos vida útil, o de Gericinó apenas mais um ano.

Os moradores da região estão preocupados com a criação do novo aterro sanitário: “Se vier o lixão, vai ter poluição, dificuldade para os meus filhos, mal cheiro”, diz uma moradora.

A produção do RJTV ouviu a prefeitura do Rio sobre o problema. Segundo a prefeitura, o aterro sanitário será um centro de tratamento de resíduos 100% sustentável. E o local escolhido teria sido amplamente estudado e estaria distante de qualquer fonte que possa ser atingida negativamente. A prefeitura disse que o lixo será depositado em camadas impermeabilizantes – que impedem que a sujeira tenha contato com o solo.

A empresa Novagerar, que vai gerenciar o local junto com a empresa Júlio Simões, informou que o terreno não faz divisa com moradias e que estudou toda a região para evitar contaminação.

O secretário de Meio Ambiente de Seropédica, Sérgio Lemberck, disse que a empresa, responsável pela construção do aterro, está cumprindo todos os trâmites legais.

O Instituto Estadual do Ambiente informou que os pedidos de licença ambiental ainda estão sendo analisados. Os moradores se mostraram indignados com a criação do aterro no bairro.

Na última quarta-feira (23), foi criado um projeto de lei em Seropédica que proíbe o aterro sanitário no bairro, falta o projeto ser aprovado ou vetado pelo prefeito.

 

Fonte: RJTV  1º Edição em 28/09/2009

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