Avanço da dengue na Baixada

Magé e Seropédica lideram uma estatística preocupante: são os dois municípios com maior número de casos na região. O número de casos suspeitos disparou nos últimos quatro meses. Isso assustou os moradores, principalmente de Magé e de Seropédica. Várias pessoas estão com os sintomas, inclusive da mesma família. Nós ouvimos muitas reclamações sobre a falta de combate ao mosquito.

É apenas um pouquinho de água parada, mas representa um risco enorme para os moradores. “É esse pouquinho que derruba a gente”, sabe o ajudante de produção Cristiano Carolli.

Para acabar com os possíveis criadouros do mosquito da dengue, Cristiano vistoria o quintal pelo menos uma vez por semana. Toda essa preocupação surgiu há três anos, quando ele contraiu a doença. Mas apesar dos cuidados, este mês, mais uma vítima: a mãe do rapaz.

“Quando ela falou que estava sentindo muita dor no corpo, nos olhos, febre alta, eu logo deduzi que seria dengue”, lembra o ajudante de produção.

A aposentada Oride Carolli é apenas uma das 55 pessoas que contraíram dengue no município de Magé, só este ano. A situação mais grave está em Pau Grande, bairro distante do Centro, na Zona Rural. O índice de infestação chegou a 7,24%, ou seja, de cada cem casas visitadas pelos agentes, em sete havia focos do mosquito.

Na comunidade, mesmo quem nunca teve um caso de dengue na família foi surpreendido.

“Eu, minha mãe, minha irmã, a mãe da minha cunhada, os dois netos dela”, enumera a comerciante Valéria Rezende da Silva.

Na Baixada Fluminense, Magé foi o município onde as notificações da doença mais cresceram nos primeiros quatro meses do ano. De janeiro a abril de 2006, foram 144 registros. No mesmo período deste ano, 538 – quase quatro vezes mais.

Em segundo lugar, vem Seropédica. No ano passado, de janeiro a abril, foram dez notificações. Este ano, 237. Até agora dez casos foram confirmados.

Pelos menos dois vieram da mesma família. Elisângela Cavalho conta que a filha e o marido tiveram dengue ao mesmo tempo. Ela mora no bairro Campo Lindo, área central da cidade. Mas diz que sente falta do trabalho dos agentes de saúde: “Eu peço aos agentes que venham tomar conta das casas onde não há moradores, porque a dengue não é brincadeira”.

A prefeitura de Seropédica informou que de dois em dois meses os agentes visitam casas, os terrenos e até os estabelecimentos comerciais. Curiosamente, segundo o município, o bairro Campo Lindo, citado na reportagem, não está entre os mais problemáticos. Mas a prefeitura ressaltou que vai mandar ao local uma equipe de endemias, para fazer um levantamento dos problemas e combater o mosquito.

A prefeitura de Magé informou que o aumento nos índices se deve ao excesso de chuvas na cidade, que provocou o acúmulo de água em vários pontos do município, principalmente na zona rural. A prefeitura disse que vai intensificar o trabalho de combate ao mosquito, onde houve o aumento de casos.

Fonte: RJTV na Baixada em 23/05/2007

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