CTR Santa Rosa é multada

Central de Tratamento de Resíduos Santa Rosa foi multada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) na última semana. O motivo foi o mau cheiro provocado pela falta de tratamento do chorume na área, um líquido de odor forte e alto potencial de contaminação, que está afetando a saúde dos moradores da região.

Esta é a segunda multa aplicada pelo Inea à Ciclus – empresa que opera o lixão -. A primeira foi em setembro 2012. Em seguida foi à vez da Comlurb. Tanto o Inea como a Comlurb exigem a construção imediata da estação de Tratamento do Chorume.

Chorume é armazenado até a locomoção para a central de tratamento em Niterói (FOTO DIVULGAÇÃO)
Chorume é armazenado até a locomoção para a central de tratamento em Niterói (FOTO DIVULGAÇÃO)

Empresa se defende

Segundo a empresa, a obra está em fase de contratação. Anunciado pelas autoridades como um dos mais modernos centros de tratamento de lixo da América Latina, o aterro foi construído há quase dois anos para receber uma demanda de 8 a 20 mil toneladas de lixo ao dia e foi autorizado a entrar em operação apesar de não dispor do sistema de tratamento do chorume.

Sem a estação de tratamento, todos os dias caminhões pipas transportam aproximadamente 110 mil litros de chorume até uma estação de esgoto de Niterói, 150 km de distância do local. Um duplo custo em transporte para levar o lixo do Rio de Janeiro à Baixada Fluminense e voltar com o chorume para a região metropolitana. Somados os valores das multas chegam a R$355 mil.

 

Especialistas condenam

Em palestra ministrada na UFRuralRJ e em entrevista ao ATUAL o ambientalista Sérgio Ricardo e o pesquisador da Fiocruz Alexandre Pessoa questionaram a ação do CTR no município. Para Ricardo a Baixada Fluminense sempre foi tratada como o grande receptor de lixo do Rio de Janeiro, conceito que iniciou em 1974 no aterro de Gramacho e se repete agora em Seropédica, em suas palavras um racismo ambiental.  “O que acontece é a máfia do lixo, os aterros sanitários são bombas de gás metano e chorume que não têm futuro. Eles necessitam de uma área extensa, têm gasto muito elevado com transporte e pouca durabilidade, pois o solo não aguenta pouco mais de 20 anos e sempre precisa se mudar para lugares mais distantes”, diz Pessoa. Ele explica que 18% de todo o PIB do país é destinado para enterrar lixo, onde o contribuinte paga três vezes, para recolher, transportar e depois descontaminar. Lixo que poderia estar gerando renda através da reciclagem, do adubo orgânico ou gerando energia através de usinas. Estudos comprovam que o Brasil enterra cerca de 8 bilhões de reais por dia.

Fonte: Jornal Atual

3 comments

  1. Sobre o transporte de chorume é um absurdo. E nunca vi um caminhão tanque na Piranema, chegando o u saindo!
    Não se trata efluente em estação de tratamento de esgoto. Ela não é feitapara isso. Não é adequado tecnicamente!

  2. Obra em fase de contratação!
    Não é possível. Como isso foi aprovado? Eu quero ver o estudo de impacto ambiental desse empreendimento.
    Onde posso encontrá-lo?

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