Empresários são suspeitos de fraudar licitações na prefeitura

O mesmo grupo de empresários que é acusado de fraudar licitações nas cidades de Itaguaí e Niterói também estaria cometendo irregularidades em Seropédica. A prefeitura está sob suspeita de corrupção.

A Prefeitura de Niterói anunciou nesta quinta-feira (13), que cancelou um contrato de cerca de R$ 30 milhões com a Arkitec, uma das empresas acusadas de envolvimento no esquema de irregularidades.

Em 2011, a Prefeitura de Seropédica abriu uma licitação para o aluguel de máquinas pesadas, que seriam usadas em obras e pavimentação de ruas. O Ministério Público afirma que das quatro empresas que participaram do pregão, três pertenciam a um mesmo grupo: Locser, Marambaia Locação de Máquinas e Arkitec. A Locser tinha como sócios: Ronaldo de Jesus Passos e Carla Marinho dos Passos.

Meses antes da licitação, esses empresários se desfizeram de uma outra empresa: a Marambaia foi vendida para Romero de Faria Abdalla. Romero é irmão de Ronaldo de Faria Abdalla, que é dono da Arkitec.

A licitação foi vencida pela Marambaia, que recebeu quase R$ 20 milhões pelo serviço. Com o fim deste contrato, a Prefeitura de Seropédica abriu uma nova licitação, desta vez de R$ 3,8 milhões. E o mesmo grupo continuou prestando o serviço, desta vez representado pela Locser.

Sem saber que estava sendo gravado, um funcionário da empresa confirmou que a Locser pertence ao mesmo dono da Marambaia. “Aqui é a Marambaia”, perguntou o produtor. “Marambaia e Locser”, respondeu o funcionário. “Mas Locser e Marambaia são a mesma coisa?”, questionou o produtor. “As duas são aliadas: Marambaia e Locser. As duas. Os donos são os mesmos”, afirmou o funcionário. O escritório apontado como sendo da Marambaia está fechado e os vizinhos afirmam que o local está vazio há muito tempo.

No terreno onde a Locser guarda máquinas e caminhões, um funcionário disse que os donos não estavam.

O prefeito de Seropédica, Alcir Martinazzo, que está sem partido, teve o mandato cassado pela Câmara de Vereadores, mas conseguiu voltar dez dias depois por uma decisão da justiça. Ele é acusado de contratar funcionários fantasmas.

Promotores do Ministério Público afirmam que um mesmo empresário utiliza a estratégia de ter várias empresas em nomes de laranjas para obter vantagens em licitações e ganhar contratos milionários.

Na semana passada, o Ministério Público fez uma operação na casa de Ronaldo Abdala e de outros 22 suspeitos de participar do esquema. Os agentes também estiveram na sede da Arkitec e outras cinco empresas. Ele é suspeito de forjar uma concorrência de R$ 30 milhões na Prefeitura de Niterói. Em Itaguaí, o empresário é suspeito de pagar propina ao ex-prefeito Luciano Mota, que teve o mandato cassado em março.

A prefeitura de Seropédica disse que não tem conhecimento da possível ligação entre as empresas, e que a licitação vencida pela Locser ocorreu dentro da lei. O município disse que não tem mais contrato com as outras duas firmas envolvidas no caso. Não foi possível contato com a Arkitec e com os empresários citados.

 

Fonte: G1 Rio de Janeiro

30 comments

Deixe uma resposta