Escolas do Rio são reprovadas

Escolas das redes estadual e municipal do Rio foram reprovadas pelo Ministério da Educação. O novo índice que mede a qualidade de ensino foi divulgado na quinta-feira. As cidades do estado do Rio de Janeiro não atingiram a média 6, que indica um ensino de qualidade.

Nas escolas da rede estadual, das cinco cidades com pior desempenho, três estão na Baixada Fluminense. Os especialistas dizem que não há uma única explicação para a má qualidade do ensino. Falta estímulo aos professores, os salários são baixos, as turmas são muito cheias e as escolas nem sempre são capazes de atrair a atenção dos alunos.

Alunos dentro da sala, mas sem professor. Na rede estadual de ensino, o ano letivo começou há três meses e ainda há muitos estudantes sem aula.

“Faltam professores de Ciências, História, Educação Física entre outros. Esse problema é geral aqui na região”, conta a servente Maria Aparecida Pereira.

O levantamento do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) concluiu que só na rede estadual de Duque de Caxias faltam 1.170 professores. Com isso, mais de 40 mil alunos não têm aula todos os dias. Há também problemas na manutenção dos prédios. Uma situação que se repete em outras escolas da rede estadual.

O novo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Ministério da Educação, que mede a qualidade do ensino, mostrou que os municípios do Rio de Janeiro ficaram abaixo da média do Brasil. As cidades com pior desempenho no ensino de 1ª a 4ª séries nas escolas da rede estadual são Piraí, Iguaba Grande, Queimados, Duque de Caxias, Mesquita, Seropédica e Teresópolis. O município do Rio ficou em 38º lugar, com a média 4:

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica


Cidades com pior desempenho: 1ª à 4ª séries – Rede Estadual


Piraí – 1,2

Iguaba Grande – 2,3

Queimados – 3,0

Duque de Caxias – 3,1

Mesquita – 3,1

Seropédica – 3,1

Teresópolis – 3,1

Fonte: Ministério da Educação

Mas, no Ensino de 5ª a 8ª séries, a capital aparece com o pior índice, seguida pelas cidades de Pinheral, Tanguá, São Francisco de Itabapoana, Cabo frio, Mesquita e Nilópolis:

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica

Cidades com pior desempenho: 5ª à 8ª séries – Rede Estadual

Rio de Janeiro – 2,5

Pinheral – 2,5

Tanguá – 2,5

São Francisco de Itabapoana – 2,6

Cabo Frio – 2,7

Mesquita – 2,8

Nilópolis – 2,8

Fonte: Ministério da Educação

As cidades com melhor desempenho, no ranking estadual, de 5ª a 8ª séries ficam no interior. São Italva, São Fidélis, Cambuci e Itaocara:

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica


Cidades com melhor desempenho: 5ª à 8ª séries – Rede Estadual

Italva – 5,1

São Fidélis – 5,0

Cambuci – 5,0

Itaocara – 4,9

Fonte: Ministério da Educação

Os pesquisadores usaram dados de 2005 e levaram em conta índices como evasão escolar, repetência e as notas dos exames da Prova Brasil.

Para pedagoga Eloíza Gomes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que é especialista em educação, é preciso investimento na infra-estrutura das escolas e na qualificação dos professores.

“Investir maciçamente em termos de recursos e de ações nas séries iniciais de Ensino Fundamental, de 1ª à 4ª série, porque essas séries vão gerar os resultados no Ensino Médio daqui a algum tempo. Isso vai tornar a educação mais moderna e, também, mais motivadora para os alunos”,ressaltou a pedagoga.

“As autoridades falam em futuro, mas cadê o futuro? Eles não dão futuro para as crianças, que têm que estudar e não podem só ficar em casa”, criticou, chorando, Maria das Graças Godoy, mãe de um aluno da rede pública de ensino.

A Secretaria Estadual de Educação informou que já convocou 1,4 mil professores para escolas de todo o estado. Só para Duque de Caxias, são 70 profissionais para as turmas de 1ª a 4ª séries. A secretaria faz um apelo aos professores que se apresentem imediatamente. Sobre os problemas de infra-estrutura, a secretaria prometeu fazer uma vistoria no colégio visitado pela equipe de reportagem do RJTV, na tarde desta sexta-feira.

Sobre o resultado do novo índice de avaliação de ensino, o secretário estadual de Educação, Nelson Maculan, disse que não ficou surpreso. Segundo ele, outros indicadores, em 2006, já apontavam para um rendimento abaixo da média dos alunos da rede pública do estado.

O secretário disse que tem um plano de ação de quatro anos, que prevê investimentos em projetos pedagógicos, na valorização dos professores e na infra-estrutura das escolas.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica vai servir de critério para a distribuição de recursos do governo federal para a educação.
Fonte: RJTV na Baixada em 27/04/2007

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