Instalação de aterro sanitário preocupa moradores de Seropédica, na Baixada

Um pequeno rio em que um menino brinca e o pai pesca esconde uma imensa riqueza: no subsolo, está o aquífero de Piranema, um reservatório de água potável com 200 quilômetros quadrados. Esse tesouro subterrâneo está no centro de uma briga.

 

Na semana passada, o Instituto Estadual de Meio Ambiente liberou a licença prévia para a instalação do aterro sanitário de Seropédica. Parte do aterro vai ficar sobre o reservatório. Um documento feito pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro condenou a instalação do Aterro de Seropédica por causa do risco de contaminação da água. Ambientalistas e pesquisadores também alertam para esse perigo.

“Estão jogando no lixo todas as legislações ambientais do Brasil que versam sobre a destinação de resíduos sólidos. Isso é um desrespeito. Encaminhamos documentos assinados pelo chefe da Embrapa, pelo chefe da Estação Experimental, pedindo que esses estudos fossem considerados antes do parecer, antes da liberação da licença prévia. No entanto, até o momento, nada foi considerado”, reclama a chefe da Embrapa/Agrobiologia, Rosângela Straliotto.

Não é só o que está debaixo da terra: a preocupação também é com o que brota da terra. De acordo com o parecer da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a produção agrícola também pode ser afetada pela instalação do aterro sanitário.

O produtor rural Charles Rosa morou quase toda a vida em Seropédica. O coco que ele planta vai parar nas praias do Rio de Janeiro, mas o sítio vai ficar perto do futuro aterro. “Isso é uma área de produção agrícola, agropecuária, pecuária de corte, de leite. Ninguém quer morar perto de um aterro sanitário”, diz ele.

O Instituto Estadual do Ambiente garante que o aterro sanitário não vai contaminar a água da região. “O que se verificou é que não havia nenhum impeditivo técnico intransponível para se construir o aterro ali. Tendo em vista a existência desse aquífero, aumentamos muito o grau de exigência e de cuidados para evitar qualquer contaminação e, o risco é mínimo, mas no caso de haver alguma infiltração de chorume para a camada do subsolo, a instalação de sensores, de barreiras hidráulicas vai permitir que se possa confinar esse vazamento e remediá-lo imediatamente sem nenhum risco para o aquífero”, explica a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos.

A previsão é de que, a partir de 2011, as porteiras da fazenda se abram para receber todos os dias as nove mil toneladas de lixo que vêm do Rio e de outras cidades da Região Metropolitana. O lugar reservado para o aterro sanitário fica a poucos metros de uma vila de moradores.

A merendeira Andressa Gomes Ramos procurava um lugar com ar puro, por causa do filho Lucas, que sofria de bronquite. Lucas está curado. “Ar puro, água, poço com água boa… Acho que vai acabar com isso aqui”, lamenta ela.

 

A discussão acontece há muito tempo – ninguém quer um aterro sanitário perto de casa, mas é preciso dar uma solução para o fim de Gramacho.

Segundo a prefeitura do Rio, o contrato será assinado no fim deste mês e as obras devem começar em fevereiro de 2010.

“É um aterro sanitário de última geração: são três camadas de proteção, não haverá contato do lixo com o solo. A possibilidade de contaminação do aquífero é zero. Mesmo assim, haverá um sofisticado sistema de monitoramento, de barreiras. É um aterro que vai trazer oportunidade econômica para a região. Serão gerados mil empregos diretos durante a obra, 600 em operação, todos com carteira assinada, com condições dignas, que não é o que acontece em Gramacho e no entorno”, afirma o secretário municipal da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho.

O secretário garante ainda que as pessoas que trabalham em Gramacho não ficarão desamparadas: “Hoje já há a produção de biogás em Gramacho, uma venda casada com a Petrobras, que gera fundos para que essas pessoas sejam capacitadas e possam ser realocadas em outras atividades econômicas ou até trabalhando nesse novo aterro. E há outros benefícios: equipamentos públicos, hospital, creche, escolas, tratamento de esgoto. Vai acabar o lixão de Seropédica e de Itaguaí, e Seropédica vai despejar tudo nesse aterro sanitário de primeiro mundo”.

A prefeitura de Seropédica disse que só vai se pronunciar em relação ao aterro sanitário quando a avaliação do estudo de impactos ambientais apresentado pela empresa estiver concluída. No momento, técnicos da prefeitura de Seropédica estão atuando junto com os órgãos responsáveis, para apurar os dados apresentados.

A empresa Nova Gerar informou que o licenciamento ambiental é estadual e não municipal, e que o processo é feito em três etapas com três diferentes licenças, e esta primeira foi a prévia.

 Fonte: RJTV  1º Edição em 09/11/2009

Deixe uma resposta