Investigadores identificam alunos que estavam com universitário afogado

A polícia já identificou os estudantes que estavam com o jovem Vítor na piscina da Universidade Federal Rural. O rapaz morreu afogado em circunstâncias ainda não esclarecidas. Nesta segunda-feira (30), uma perícia vai ser feita no local. A universidade anunciou que vai abrir uma sindicância para apurar as responsabilidades.

No velório de Vítor Vicente de Macedo Silva, no Cemitério do Murundu em Padre Miguel, estavam presentes a família e dezenas de amigos. O estudante era coroinha da paróquia de São Judas Tadeu em Bangu, na Zona Oeste. Vítor era aluno do curso de física da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro desde o ano passado, há uma semana, ele estava morando no alojamento do campus, em Seropédica. Um amigo da família disse que, por ser calouro no alojamento, Vítor estaria sendo submetido a trotes nos últimos dias.

“Foi exigido uma série de coisas dele: uma caixa de cerveja, arrumação durante um mês. Então, a família não sabe até que ponto ele foi induzido ou cobrado para estar entrando nessa piscina“, diz o amigo Márcio Augusto Rego.

Segundo a direção da Universidade Rural, na madrugada de sábado, um grupo de alunos, entre eles Vítor, invadiu o parque aquático da instituição. Eles teriam cortado uma cerca de arame farpado e escalado o muro que tem três metros de altura.

Por volta de 1h30, de acordo com a reitoria, Vítor teria subido no trampolim e pulado na piscina que tem nove metros de profundidade. Amigos de Vítor disseram que ele não sabia nadar e acham que ele jamais entraria na piscina por vontade própria.

Em um site de relacionamentos na internet, tem uma página com o título "Eu invado a piscina da UFRRJ". A comunidade tem mais de 500 seguidores, mas Vítor, não fazia parte dela.

“A índole do Vítor não é de uma pessoa agressiva, de uma pessoa que vá furar regras. Ele nunca bebeu, ele nunca usou drogas e o que me admira no Vítor é a pureza que ele tinha”, conta o amigo Rodrigo Moreira.

A equipe da Bom Dia Rio foi a universidade nesse domingo (29). Perto da piscina, tinham roupas, chinelos e latas de cerveja. O parque aquático está fechado e deve ser periciado nesta segunda-feira (30). A reitoria da universidade admite que são frequentes as invasões da piscina.

“Mas não era certamente com a frequencia que todos alarmas como está na comunidade da internet. Isso é uma afronta”, justifica o pró-reitor Carlos Luiz Massard.

A Diretoria de Segurança da universidade informou que tem 60 homens para vigiar uma área equivalente a 3,5 mil campos de futebol e que ainda cede vigilantes para ajudar no patrulhamento da universidade em Nova Iguaçu e Três Rios. A diretoria da universidade informou ainda que seriam necessários 200 homens para cobrir todas as áreas.

O reitor da Universidade Rural, Ricardo Miranda, reconheceu que o número de seguranças é pequeno, mas disse que, em vez de ampliar a quantidade de vigias de empresas terceirizadas, deveria haver concurso público. Ele destacou que nenhuma vigilância vai ser suficiente se os alunos agirem sem consciência.

O Ministério da Educação informou que a contratação de funcionários cabe à universidade, que tem autonomia no uso do orçamento.


Fonte: Bom Dia Rio em 30/11/2009

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