Lixão de Seropédica funciona sem licença e afeta saúde de catadores

Moradores da vizinhança reclamam dos transtornos causados pela poluição e pela sujeira, que também afetam quem trabalha no lixão. Viúva, com três filhos e desempregada, Michele dos Santos decidiu virar catadora de lixo. “Eu fico exposta a pegar qualquer coisa. Tem que ter muita fé em Deus. Pelo menos é um trabalho digno. Não estou mexendo com ninguém. Estou na minha. É do trabalho para casa e de casa para o trabalho”, diz Michele.

No Lixão de Seropédica, no bairro Boa Esperança, trabalham mais de 30 pessoas. Além do mau cheiro, a fumaça dos detritos queimados toma conta do terreno e se espalha pela vizinhança. Dezenas de caminhões levantam poeira o dia todo.

Dona Anita diz que não dá conta de limpar a casa. “Em um dia já acumula muita sujeira no guarda-roupa, no sofá, na cozinha, em tudo”, reclama ela.

Mas a maior preocupação é com a saúde. A convite do RJTV, a médica alergista Denise Pedrazzi visitou o bairro, e deu algumas dicas. “Além controle ambiental, tirando tapetes, cortinas e deixando a casa limpa, é necessário sempre lavar as narinas e os olhos das crianças com soro fisiológico, principalmente no inverno. É preciso umidificar”, orientou a médica.

Denise também fez um alerta: “Não existe nenhuma proteção. Os catadores de lixo têm contato direto com as substâncias. Eles pode ter câncer de pele, doenças intestinais. Eles também podem desenvolver outros tipos de doenças, até mesmo cancerígenas, e não só as imediatas.”

O lixão existe há mais de 50 anos e funciona sem licença ambiental. Em maio de 2009, técnicos do Instituto Estadual do Ambiente teriam feito uma vistoria e constatado a poluição provocada pela fumaça e a contaminação do solo. Desde então, a Prefeitura de Seropédica estaria recebendo uma multa de R$ 2 mil por dia, até que o lixão seja desativado. A Secretaria de Meio Ambiente de Seropédica informou que recorreu da multa e que já teria um acordo com o estado para a recuperação da área.

“Esse acordo foi realizado em novembro de 2008 com o poder público estadual e a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente). A gente já fez o recapeamento do solo. Nós pretendemos, até o fim de 2009, acabar com o lixão de Seropédica”, afirmou o secretário de Meio Ambiente de Seropédica, Sérgio Lemberck.

Na tarde desta quinta-feira, agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente estiveram no local para apurar as denúncias feitas por moradores da região.

O Instituto Estadual do Ambiente informou que não foi assinado um acordo com a Prefeitura de Seropédica, mas sim um termo de ajustamento de conduta. De acordo com o instituto, a multa de R$ 2 mil por dia não deixou de ser aplicada e, enquanto houver crime ambiental, continuará sendo cobrada.


Fonte: RJTV segunda edição em 06/08/2009

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