Obras do aterro de Seropédica são suspensas

RIO – Menos de dois meses depois de iniciadas, as obras da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Seropédica, que vai receber o lixo produzido no município do Rio, foram paralisadas na última terça-feira, após a prefeitura local suspender o alvará da empresa Ciclus, responsável pelo projeto. A medida teve como base um parecer técnico da Secretaria de Meio Ambiente de Seropédica, que detectou irregularidades na instalação do aterro. O prefeito da cidade, Alcir Martinazzo (PSB), determinou ainda a instauração de uma sindicância para apurar eventuais ilegalidades na concessão do alvará.

Empossado no dia 23 de agosto, após a Justiça Eleitoral cassar o mandato do então prefeito Darci Lopes (PSDB) por captação ilícita de votos, Martinazzo disse ontem que foi eleito defendendo a suspensão da obra do aterro e que não poderia mudar de opinião após tomar posse.

– Fui eleito sendo contra o aterro, não podia mudar de atitude agora. Porém, não haverá radicalismos. Criamos uma comissão técnica para analisar o projeto e vamos ouvir os argumentos da empresa. O objetivo é conhecer melhor a proposta e garantir a contrapartida devida à prefeitura. As estradas da cidade não vão aguentar o aumento do tráfego de caminhões de lixo, por exemplo – afirmou Martinazzo, que tem uma reunião com o prefeito Eduardo Paes marcada para a próxima semana.

Aterro está no meio de disputa política na cidade

Não é a primeira reviravolta que o projeto sofre. No ano passado, a Câmara de Vereadores de Seropédica aprovou uma emenda à Lei Orgânica, proibindo a construção do aterro na cidade. O então prefeito Darci Lopes entrou na Justiça com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a emenda. No dia 9 de agosto deste ano, a Justiça deu ganho de causa a Darci e, quatro dias depois, as obras do aterro foram iniciadas.

A construção do aterro foi anunciada em setembro do ano passado e é vista pelo prefeito Eduardo Paes como uma solução para o crônico problema do lixo do Rio, que atualmente produz nove mil toneladas de detritos por dia. Com a instalação da CTR, o objetivo é desativar o aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, que está saturado e chegou a ser fechado diversas vezes por disputas entre as prefeituras do Rio e de Duque de Caxias.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) já concedeu licença para o empreendimento, que também receberá o lixo de Itaguaí. No projeto está prevista a construção de uma usina de geração de energia a partir da queima do gás metano, captado dos detritos. Também será gerada energia em sete estações de transferência de resíduos, espalhadas pelos bairros de Caju, Vargem Pequena, Taquara, Santa Cruz, Bangu, Marechal Hermes e Penha. Essas unidades receberão o lixo antes de ele ir para Seropédica. A expectativa inicial da empresa é que até 2012 o aterro de Gramacho possa ser encerrado.

A Ciclus informou que está fazendo uma análise do documento enviado pela prefeitura para posteriormente se posicionar sobre o assunto.

 

Fonte: O Globo  em 07/10/2010

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