Polêmica em Seropédica

A construção de um aterro sanitário mobiliza moradores de Seropédica. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Vereadores. O subsolo do terreno abriga uma reserva de água potável.

A zona rural de Seropédica é uma região com solo arenoso e muitas árvores, ao lado da Serra do Mar. Bem próximo da superfície dá para encontrar várias fontes de água. É nesse local que deverá ser construído um aterro sanitário.

Pelo projeto, o lixo de três cidades, incluindo o Rio, será despejado numa área de sete quilômetros quadrados, em cima de um terreno cujo subsolo abriga um aqüífero, um imenso reservatório de água potável inexplorado.

Segundo pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no futuro, essa água pode se tornar uma importante fonte de abastecimento para toda a Baixada Fluminense. É aí que está a polêmica.

“Pode correr o risco de um rompimento, um acidente inesperado e vazarem substâncias tóxicas para o aqüífero, que é muito importante para a Baixada Fluminense. Não podemos correr esse risco”, alerta o especialista em impacto ambiental Carlos Domingos.

Mas o que causou desconfiança nos moradores de Seropédica foi a rapidez com que o projeto foi aprovado na Câmara de Vereadores. Em três dias a proposta passou por todas as comissões e foi votada em plenário.

“Tantos outros projetos mais importantes levam anos para ser aprovados”, diz uma moradora.

Na votação, há 20 dias, a Câmara de Vereadores de Seropédica alterou a lei orgânica do município, criou a área do aterro e diminuiu os limites das áreas de proteção ambiental da cidade. Os projetos foram aprovados por sete votos a dez.

Um dos principais problemas da Região Metropolitana do Rio é a falta de locais apropriados para o despejo do lixo produzido.

Se sair do papel, o aterro de Seropédica terá capacidade para receber cinco mil toneladas diárias de resíduos domiciliar, hospitalar e industrial. A estimativa é de que a obra custe R$ 20 milhões, e seria paga com verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

A representante do conselho da cidade, Rosangela Straliotto, diz que os moradores não são contra a criação do aterro sanitário, mas antes ele tem que ser discutido com a sociedade.

“Lixo industrial tóxico com grande periculosidade será despejado em uma região onde há risco de contaminação do aqüífero”, diz Rosangela Straliotto.

O presidente da câmara de vereadores de Seropédica, Mauro de Britto, disse que o projeto de lei que permite a instalação do aterro sanitário foi aprovado de acordo com o regimento interno. E adiantou que a discussão com a comunidade vai acontecer durante as audiências públicas, necessárias ao licenciamento ambiental do terreno escolhido pela prefeitura.

RJTV 1ª Edição em 06 de Dezembro de 2007

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