Produtores aprendem a reconhecer agentes naturais de controle de pragas

Diferenciar insetos que fazem o controle biológico de outros que são os vilões das lavouras é um grande desafio para qualquer produtor rural. Nesta quarta-feira, 29 de junho, cerca de 30 produtores e agentes de extensão rural de Seropédica e Paracambi, no Estado do Rio de Janeiro, vinculados ao Programa Rio Rural, puderam aprender um pouco mais sobre o assunto, durante o quarto módulo do cursoPlanejamento, implantação e manejo de sistemas integrados de produção agroecológica, específico sobre reconhecimento de agentes naturais de controle de pragas.

Orientado pela pesquisadora da Embrapa Agrobiologia Alessandra de Carvalho, o grupo primeiramente foi apresentado aos principais “mocinhos” e “vilões” das plantações em uma aula teórica, para depois colocar a mão na massa e ir a campo para coletar espécimes e analisar o que foi encontrado. “É muito bom trazê-los em campo, pois assim eles podem ver os insetos in loco, ao invés de apenas nos slides”, comenta a pesquisadora. “Muitos veem bichinhos ao lado das folhas de hortaliças cheias de buraquinhos e acham que são joaninhas, quando na verdade são vaquinhas. E é muito bom poder mostrar a diferença para eles”, exemplifica.

Dentre os presentes, a única que já trabalha inteiramente com a agricultura orgânica é a agricultora Isabel Xavier, de Seropédica. “Eu também vim da agricultura convencional e, há 15 anos, quando comecei, era muito difícil ter informação. Era preciso ir atrás mesmo, procurar por conta própria. Então hoje eu faço questão de participar desses cursos, até mesmo para dar um apoio aos produtores que estão pensando em migrar para a agricultura orgânica”, relata. Segundo ela, o fundamental é ter a consciência dos benefícios que o modelo traz, tanto para a saúde e para o meio ambiente quanto para o bolso, já que proporciona mais lucro. “Mas é preciso não desanimar, porque o trabalho é realmente muito grande.”

Assim como Isabel, outros tantos produtores vinculados ao Programa Rio Rural de Seropédica e Paracambi puderam conferir de perto diversos ensinamentos sobre temáticas relacionadas à agricultura orgânica. Além de controle biológico, o curso realizado na Fazendinha Agroecológica Km 47, em Seropédica, já abordou, desde março, temas como adubação verde, produção de mudas de hortaliças orgânicas e fruticultura orgânica. “Toda a minha produção agrícola já é orgânica, a gente não usa nada de veneno, mas a pastagem ainda não é e eu quero tornar ela orgânica também. Estou aprendendo muito com esses módulos”, destaca o produtor Edson Pereira de Souza, de Paracambi, hoje em transição agroecológica.

A vontade de migrar para o sistema agroecológico não é exclusiva de Edson. Regina Cardoso Souza, Marilda de Assis Granadeiro, José Geraldo Affonso Mattos, Wanderley Macedo Silva e Eliana Regina Nantte Teixeira fizeram coro ao expressar a vontade de colocar em prática todos os ensinamentos adquiridos desde o primeiro módulo. “Não faltei nenhuma aula e estou adorando. Pena que acaba”, fala Marilda. Ao que retruca José Geraldo: “Acaba nada, tem muito trabalho pra fazer em casa ainda.”

Sobre o curso

Os módulos estão sendo realizados pela Embrapa Agrobiologia em parceria com a Emater-Rio e alcança uma média de 30 produtores e agentes de extensão rural das cidades de Seropédica e Paracambi. O público é restrito aos participantes do Programa Rio rural e foi definido com o auxílio da Emater. De acordo com o analista Ernani Jardim, da área de TT, um dos organizadores do curso, a intenção foi fazer um curso mais robusto, que pudesse abranger, em mais de um dia e com mais profundidade, os principais temas relacionados à agroecologia. “Estamos identificando as necessidades dos agricultores e montando os módulos aos poucos”, destaca.

Além disso, a oferta está sendo estabelecida seguindo a disponibilidade dos pesquisadores e da Fazendinha, considerando a sazonalidade e o que pode ser oferecido em cada época. Outras temáticas que devem entrar na programação são produção de hortaliças e manejo de solo. A expectativa é de que sejam feitos entre sete e oito módulos ao longo do ano.

Fonte: Grupo Cultivar

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